ASSISTIR OU NÃO ASSISTIR BBB: EIS A QUESTÃO

Assistir o Big Brother Brasil para muitos é uma perda de tempo enorme, para outros, um vício,“voyerismo”, para outros tantos apenas um programa de TV. Bem, seja lá qual for a motivação, ou falta dela, para assistir o tão afamado BBB, uma coisa é certa: um pouco de nossa sociedade é retrata naqueles três meses de confinamento.

Para quem assistiu, a vitória do lutador Marcelo Dourado expôs algo que muita gente tenta esconder, mas que é fato: nossa sociedade é plural, mas ainda há reservas para que essa pluralidade seja aceita.

Muito se falou que Dourado foi homofóbico durante o programa. Eu, particularmente, vi o programa e não vi exatamente atos de homofobia por parte dele ( exceto aquela frase infeliz sobre AIDS que, ao meu ver, aconteceu mais por conta de ignorância do lutador ).

Não foi homofóbico, porém, também não foi simpatizante. Na verdade, Dourado ganhou porque passou a imagem de que “o que eu tiver que falar para vc eu falo na sua cara”, isso sendo desagradável ou não. E o público que assistiu a este BBB estava mais propenso a isso do que a “performances”.

Jean Wyllis, vencedor do BBB5, homossexual assumido, ganhou por ter sofrido preconceito dentro do confinamento e durante toda a competição se mostrou centrado, tranqüilo, culto. Mereceu. Se a idéia do BBB10, que ficou conhecido por formar uma tribo de “coloridos”, era mostrar a pluralidade de comportamento e opção sexual existente em nossa sociedade, isso não ocorreu de maneira positiva. Sérgio, Dicesar e Angélica estavam mais interessados em fazer “caras e bocas” , em soltar frases de efeito do que militar pela causa gay. Eram verdadeiras caricaturas e isso, talvez, contribuiu para que o público não se identificasse tanto com eles.

Enfim, Dourado venceu, graças a seu carisma ( ou a sua legião de fãs, a Máfia Dourada ) e não vejo sua vitória como o resultado de um embate “gays versus machões”, mas o reflexo de uma sociedade que, infelizmente, ainda detém preconceitos e que não está tão aberta a pluralidades. E fora isso, cada um tem direito de pensar e ser como quiser, sem, claro, prejudicar ninguém intelectualmente ou fisicamente.

Além disso, a vitória de Dourado foi melhor definida pela jornalista Leda Nagle, que em seu twitter postou, logo após o final do BBB10: “abaixo a homofobia! abaixo a heterofobia! chega! viva a diferença! cada um tem o direito de ser o quiser ser! e ponto final “.

O BBB10 mostrou isso. Para quem curte, foi um programão, para quem não suporta, sinto muito, vem aí o BBB11…

Érika Svícero Martins França