Alonso mostra que a Ferrari ainda respira

A vitória de Fernando Alonso em Silverstone mostrou que a equipe Ferrari conseguiu uma evolução acima do esperado. Aproveitando-se de um problema nos boxes com Sebastian Vettel, Alonso arrancou e abriu uma boa vantagem em pista, o que não foi superada pelo piloto alemão que chegou em segundo lugar. Uma das dúvidas que pairaram no ar foi. Será que Alonso venceu por méritos próprios, ou as novas regras do difusor soprado acabaram fazendo a Red Bull perder décimos de segundos importantes? A resposta teremos nas próximas provas.

Outro fato que chamou a atenção, foi a ira de Mark Webber contra a equipe Red Bull, que praticamente o proibiu de ultrapassar Vettel nas últimas voltas. O piloto australiano vinha num ritmo superior ao líder da temporada e estava na terceira colocação. Em dado momento Webber partiu para o ataque e forçou sem sucesso uma ultrapassagem. Após o término da corrida, Webber acabou soltando para a imprensa, que seu engenheiro chefe, a todo o momento pedia para o mesmo não ultrapassar Vettel, o que deixou o australiano revoltado.

Em entrevista coletiva após o final da corrida, Webber declarou. “Eu não estou bem com isso, não. Essa é a questão. Se o Fernando (Alonso) abandonasse na última volta, estaríamos brigando para vencer”. O chefe da Red Bull Christian Honer, em tom apaziguador respondeu as declarações de Webber. “Posso entender a frustração de Mark, mas não poderíamos abrir mão de tantos pontos. Não queríamos ver nossos pilotos no muro a duas voltas do final”. Bem ou mal, a Red Bull usou de bom-censo e protegeu o campeonato que está praticamente ganho.

O que ocorreu no GP da Inglaterra entre Webber e Vettel é quase que um retrato do ano passado, quando o engenheiro chefe de Felipe Massa, pediu para o mesmo diminuir e deixar Alonso passar para vencer a corrida. A imprensa brasileira gastou folhas e folhas de seus jornais para criticar a atitude da Ferrari e no final ficou certa atmosfera de “marmelada”. Não é não.

Jogos de equipes são completamente aceitáveis, desde que os interesses do campeonato estejam em jogo. Tanto a Ferrari, quanto Red Bull ou qualquer outra equipe de Fórmula 1, são, a grosso modo, empresas muito bem estruturadas, onde giram milhões de euros em seus cofres. Os donos dessas empresas têm todo o direito de aplicar suas ações do modo que acharem melhor. Seria “marmelada”, caso a ordem viesse para um piloto abrir para outro piloto de outra equipe ganhar. Ai sim poderíamos dizer que a Fórmula 1 seria uma barbada. Mas, desde que as ordens partam de forma interna para serem cumpridas unicamente entre seus pilotos, o jogo de equipe é normal.

Fico revoltado quando ouço pessoas que não entendem nada do assunto, ficarem opinando sobre isso e levando uma idéia errada ao público. Massa não foi prejudicado por ninguém. Simplesmente, ele estava ganhando uma corrida, mas Alonso estava disputando um campeonato. O mesmo ocorreu entre Webber e Vettel. O piloto australiano está errado em ficar irado com a situação, pois os interesses da equipe estavam em jogo. É bom lembrar-nos, que no GP da Turquia o ano passado, Vettel forçou uma ultrapassagem em Webber e ambos se chocaram. Ficou feio para a Red Bull e no final Vettel saiu do carro gesticulando, fazendo sinal que Webber era louco.

Está certo Christian Honer. O pior de tudo é que Webber não obedeceu e partiu para cima de Vettel, descumprindo as ordens. Ainda bem que nada ocorreu. Com estas atitudes, o piloto australiano mancha sua reputação diante da equipe e corre sérios riscos de não ter contrato assinado mais lá na frente.

Por: César Junior