A volta (triunfal?) de Mike Coughlan

A equipe Williams contratou como engenheiro-chefe Mike Coughlan, e com ele vem as esperanças de reavivamento dentro da Fórmula 1, já que a escuderia inglesa está mal das pernas.

Coughlan ficou mundialmente conhecido como um dos responsáveis pelo escândalo de espionagem que envolveu as duas principais equipes da categoria: McLaren e Ferrari.

Na época, Mike Coughlan era engenheiro-chefe da McLaren e acabou recebendo das mãos de Nigel Stepney, então projetista da Ferrari, uma avalanche de informações guardadas a sete chaves pela escuderia Italiana. Algumas dessas informações eram a respeito da aerodinâmica, mecânica e até mesmo o gás que era utilizado nos pneus da Ferrari.

Toda falcatrua foi descoberta por um funcionário de um escritório inglês, que recebeu das mãos da mulher de Coughlan os papéis com a ordem de xerocar todos. O funcionário desconfiou, já que o número de documentos eram muitos e todos tinham o timbre da Ferrari. O então projetista da McLaren foi banido da categoria e naquele ano (2007) a McLaren perdeu todos os pontos do campeonato de construtores e só não teve uma punição maior, porque a Mercedes era (e ainda é) a principal fornecedora de motores da Fórmula 1.

Coughlan se considera arrependido e diz que a vida lhe ensinou uma dura lição. As apostas da Williams são certeiras, já que o projetista inglês já foi responsável por carros de ótimo desempenho como Lotus e Tyrrel.

Quem vê com bons olhos a vinda de Coughlan para a Williams é o brasileiro Rubens Barrichello. Entende que a escuderia precisava de um projetista do nível dele, para poder se recuperar no campeonato e pelo menos tentar terminar com uma colocação melhor na disputa pelos construtores. A equipe inglesa somou apenas com 4 pontos na temporada, todos conseguidos pelo brasileiro.

Uma equipe como a Williams não pode viver a realidade que está passando. Sucesso entre os anos 80 e 90, a equipe já conquistou 9 campeonatos de construtores e 7 de pilotos. Feras do automobilismo como Jacques Villeneuve, Damon Hill, David Couthard e o próprio Ayrton Senna, já conduziram seus carros e foram vencedores. Keke Rosberg (pai do atual piloto Nico Rosberg), Alan Jones e o nosso Nelson Piquet, já soltaram o grito de campeões mundiais, com as mãos no volante da escuderia.

Espero que Barrichello possa mostrar seu talento dentro da escuderia, pois até agora o piloto brasileiro vem fazendo o possível e o impossível para conseguir terminar um grande prêmio.

Esta é a Fórmula 1 atual. Uma equipe que não investe milhões de euros em projetos milionários acaba no esquecimento. Como pode uma escuderia que um dia chegou a ser comparada com “carros de outro planeta” devido ? ompetência, se arrastar pelas pistas para tentar chegar?

Ninguém explica o inexplicável. Algumas pessoas dizem que após a morte de Ayrton Senna a escuderia nunca mais foi a mesma. Foi um caso mais ou menos parecido com o São Caetano no futebol. Após a morte do lateral Serginho em pleno campo, a equipe do ABC, que já chegou a ser vice-campeã da Libertadores da América, hoje está lutando para se manter na segunda-divisão do Campeonato Brasileiro. São ótimos exemplos de que alguns erros que se cometem, não têm como voltar atrás.