Trens continuam se deteriorando na estação

Quem se lembra da fase áurea da estrada de ferro que passava por Botucatu que era uma cidade chave no sistema da malha que vinha de São Paulo e ia até Presidente Epitácio, não pode deixar de ficar entristecido observando a situação degradante em que chegou o patrimônio ferroviário. É por esta mesma estrada por onde circulavam trens de passageiros e cargas, diuturnamente.

O pátio de manobras, o armazém, a estação ferroviária e tantos outros prédios que faziam parte do cotidiano dos ferroviários, não existem mais. De tudo aquilo, restaram apenas escombros. Se vê hoje, diversos vagões de passageiros ou de carga, sendo deteriorados pelo tempo, fazendo parte de um funesto e degradante visual, parecendo um monte de entulhos de ferros retorcidos.

Não bastasse isso, tudo que havia nas dezenas de salas, foram delapidados e agora alguns poucos pontos que ainda estão em pé ou os velhos vagões que ainda estão nos trilhos rodeados de matos, são usados como casa de andarilhos, ou para pratica de sexo e consumos de drogas. Um dos moradores mais antigos do local, José Rodrigues 67, lamenta a situação,

“Isso está cada dia pior. De noite é uma escuridão só. Embora tenha rede elétrica, tem gente que corta os fios para que o local fique na mais completa escuridão. De noite é loucura passar por aqui, porque existem pessoas de má índole. A polícia faz patrulhamento por aqui, mas como o espaço é grande essas pessoas mal intencionadas têm uma visão ampla de quem entra e de quem sai”, relata Rodrigues.

Porém os problemas desse senhor e demais moradores daquela região deverão se acabar nos próximos meses. Isso porque a Prefeitura Municipal ganhou o direito de zelar pelo patrimônio da Rede e deverá realizar benfeitorias no local. A autorização de uso de todos os imóveis da Rede foi assinada pelo prefeito e superintendente substituto do patrimônio da União do Estado de São Paulo, Raphael Bischof. Essa sessão de uso, também teve apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Themer.

“A verdade é que muita gente tentou, mas não conseguiu. Buscamos os caminhos que nos foram abertos e fizemos este pedido de sessão de uso, diretamente, ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que entendeu a importância do patrimônio da Rede passar ser zelada pelo município. Com isso, poderemos viabilizar naquele amplo espaço projetos que são do interesse da nossa cidade”, colocou Cury.

Devo dizer que o ministro de Planejamento, continua o prefeito de Botucatu, teve espírito republicano e se sensibilizou com a nossa reivindicação. “Ele nos atendeu muito bem e através de sua atuação e da atuação do Michel Themer, conseguimos trazer esse benefício para Botucatu”, comentou Cury, revelando que procurou trabalhar em sigilo. “Fizemos um trabalho silencioso para evitar que forças contrárias pudessem dificultar as negociações”, disse, sem citar nomes.

Embora com cautela, João Cury, adianta que faz parte do projeto criar naquele espaço um Centro de Entretenimento para realizações de festas e eventos variados. Como se sabe, diz Cury, Botucatu não possui uma área apropriada e com espaço suficiente para realizar grandes eventos. Paralelo ao Centro, a idéia é criar, por exemplo, o Trem Turístico onde as pessoas poderiam conhecer as belezas naturais da região em um trem.

“Idéias não nos faltam. Agora vamos fazer estudos e planejar o uso daquela área. Acho que a cidade de Botucatu tem mesmo que comemorar essa conquista que não é nossa e sim de toda população”, colocou o prefeito.

O próximo passo, segundo o prefeito, será conseguir e sessão definitiva de uso, para ai sim, incorporar todo aquele espaço no patrimônio do município. “Nossa expectativa é conseguir essa sessão de uso por um período superior a 10 anos. Esperamos que isso se defina nos próximos seis meses. Vamos batalhar para isso”, adiantou o prefeito.

Para evitar qualquer tipo de polêmica e especulação política, João Cury Neto, adianta que as pessoas que moram em casas pertencentes ? Rede não terão qualquer problema. “Os moradores terão preferência para adquirir os imóveis. Não iremos tirar ninguém de suas casas. Pelo contrário, nosso objetivo é ajudar a todos que zelam por essas casas por muitos anos. São gerações de famílias que cresceram e viveram nessas casas. Vamos trabalhar para que esses moradores consigam as escrituras definitivas dos imóveis”, concluiu o prefeito.

Fotos: Valéria Cuter