Trem de passageiros pode voltar a circular em Botucatu

“Pode escrever aí o que eu vou dizer: daqui a cinco anos, teremos o retorno dos trens de passageiros circulando pela malha ferroviária de Botucatu”. A frase é do presidente do Sindicato dos Ferroviários de Botucatu, Hélio Maschetti (foto). Embora pareça uma afirmação absurda, o sindicalista não está longe da realidade.

Ele se baseia no projeto do governo do Estado de São Paulo, que pretende restabelecer, através de um decreto governamental, dando poderes para que a Secretaria dos Negócios dos Transportes Metropolitanos viabilize o transporte de passageiros, além da região metropolitana da capital paulista, abrangendo, inicialmente, cidades como Sorocaba, São José dos Campos, Campinas e Baixada Santista.

Com isso o secretário José Luiz Portella se prontificou em apresentar no prazo de dois meses um projeto neste sentido para a malha ferroviária. “Se os trens de passageiros vão passar a circular nessas cidades, seguramente a linha se estenderá até Botucatu. Disso eu não tenho a menor dúvida. Os maiores países do mundo usam trens como principal meio de transporte”, colocou Maschetti.

Essa notícia de reativar os trens de passageiros na malha ferroviária para cidades além dos limites metropolitanos veio estampada na edição desta segunda-feira no jornal Estado de São Paulo. Na matéria, Portella prevê, inicialmente, que esse trajeto seria de São Paulo a Sorocaba. “Hoje há um trânsito de pessoas que moram em Sorocaba e trabalham em São Paulo. Muitas usam ônibus fretados, mas isso vai passar a ser feito, em algum momento por trem,”, previu o secretário.

Não é segredo para ninguém, que o transporte ferroviário interestadual de passageiros teve grande importância no País. No trajeto de São Paulo a Presidente Epitácio, Botucatu era uma cidade fundamental no processo do transporte ferroviário, com a EFS – Estrada de Ferro Sorocabana e, posteriormente, Fepasa – Ferrovia Paulista Sociedade Anônima e Ferroban – Ferrovia Bandeirantes. Hoje quem explora a malha ferroviária é a ALL – América Latina Logística, empresa que controla hoje a Novoeste, Ferroban e Ferronorte, só trabalha transportando cargas.

O mais animador é que as ligações ferroviárias regionais, com cerca de 200 km de extensão tem grande demanda e, em geral, não envolvem grandes investimentos na infra-estrutura básica e no sistema de controle e segurança operacional, pois se utiliza das redes já existentes.

Os maiores investimentos, segundo esta matéria do Estadão, costumam ser aplicados nos próprios trens, que devem oferecer aos usuários conforto, segurança e confiabilidade suficiente para fazê-los abandonar os ônibus ou automóveis e escolher o trem.

“Então a situação é bastante favorável e animadora. Finalmente alguém abriu os olhos e viu que a malha ferroviária é uma maneira eficaz de acabar com os congestionamentos nas rodovias e ainda nos livrar dos pedágios que é um roubo contra o cidadão. Tenho certeza de que isso vai ser o maior investimento social já feito pelo governo do Estado, pois o trem é um transporte seguro, confiável e barato”, concluiu Maschetti.

Vale lembrar que o antigo pátio de manobras da Fepasa de Botucatu, que funcionava ao lado da estação ferroviária, transformou-se em um verdadeiro cemitério de vagões de trens, que foram “depenados” e muitas carcaças ainda se encontram no local se deteriorando com o tempo.

Foto: Jornal Acontece Botucatu