Tensão entre comerciários: Carlos Negrisoli diz que está sendo vítima de um ato ilegal ao ser destituído; diretoria diz estar embasada

A disputa pelo comando do Sindicato dos Empregados do Comércio de Botucatu, o Sincomerciários, foi cercada de muita tensão nesta terça-feira, 26. Após a destituição de Carlos Negrisoli da presidência na noite de segunda-feira, o até então Secretário Marcos Oyan assumiu o comando do Sindicato.

Há uma disputa entre alguns diretores. Parte da diretoria entende que Negrisoli não pode exercer a função de presidente após denúncias de que ele teria em sua posse duas empresas, fato que tornaria ilegal seu mandato.

“O senhor Carlos Negrisoli não pertence mais ao comércio. Existe uma discussão na justiça que contesta até se um dia ele fez parte do comércio. Essa diretoria assume a postura de continuar administrando o Sindicato com coerência. Nosso ato está dentro da legalidade. Ele não consegue fechar a convenção de trabalho e os trabalhadores estão sem aumento por conta disso, pois ele usa o Sindicato para promoção pessoal. Estando desenquadrado, ele tem que entender que está fora do Sindicato”, disse Marcos Oyan, Secretário que assumiu interinamente a presidência.

No início da noite desta terça-feira, o Acontece Botucatu ouviu com exclusividade o presidente ora destituído Carlos Negrisoli. Ele disse estar sendo vítima de um ato ilegal. “Este ato não tem legitimidade, não teve embasamento jurídico. Eu fui arrancado, exulpso do cargo de presidente. Agora estou conversando com meu advogado e vamos tomar as providências jurídicas para minha recondução ao cargo”, disse Negrisoli.

 

Confira a reportagem na TV Acontece:

 

Relembre o caso da disputa

(arquivo Acontece)

Uma denúncia que foi divulgada no site da FM Integração de São Manuel atinge diretamente Carlos Negrisoli, presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Botucatu. Segundo a matéria, ele possui duas empresas em sua posse, fato que tornaria ilegal seu mandato frente ao Sindicato.

O denunciante é João Eduardo Pereira, associado ao Sincomerciários e que já foi suplente da diretoria no mandato anterior de Negrisoli. Ele moveu ação em processo que já está na justiça sob o número 0010256-26.2016.5.15.0025.

Pereira pede na ação que Negrisoli seja destituído do cargo que ocupa desde 2010. Pede também que um interventor seja nomeado para tal até que se finde o processo, quando o Sindicato teria nova eleição.

A denúncia diz que Negrisoli teria duas empresas, uma com sede em Bofete, no setor de alimentos e bebidas e outra em Botucatu, voltada para o ramo de calçados, vestuário e acessórios. Como mostram as fotos, as empresas foram constituídas em 1998 e 1990 respectivamente, mas com atualizações recentes no CNPJ de cada uma, ou seja, estariam em atividade em datas posteriores aos pleitos disputados no Sincomerciários.

Negrisoli nega a existência das empresas nos dias atuais, dizendo que a justiça teria negado uma das ações ajuizadas contra ele. Carlos Roberto Negrisoli foi eleito para o Sindicato dos Empregados do Comércio em 2010, sendo que em 2014 foi reeleito para o cargo com 99,30% dos votos apurados. (publicada em 14 de fevereiro de 2016)