Reajuste salarial de servidores vai ? Câmara

Na noite desta segunda-feira diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu (SISPUMB), estiveram na Câmara Municipal (foto) para solicitar apoio dos vereadores na negociação salarial que está sendo travada com a Prefeitura Municipal. Os servidores reivindicam 10 % de aumento real e aumento no vale compras de R$ 300,00 para R$ 400,00.

Eles não aceitaram nenhuma das propostas, inicialmente, sugeridas pelo Poder Executivo. As propostas da administração municipal foram: 4% de reposição mais R$ 50,00 no vale compras; 4,5% de reposição mais R$ 30,00 no vale compras; 6% de aumento, sem aumento no vale compras ou 5,5% com acréscimo de R$ 15,00 no vale compras, que passaria para R$ 315,00.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores, José Manuel Leme o Mané, todas as propostas feitas pela Prefeitura ficaram abaixo das expectativas e das necessidades dos servidores. “Por isso estamos em estado de greve e poderemos deflagrar uma greve geral a partir do dia 1º de junho, caso não haja mais negociação”, alertou o sindicalista, que no final de semana coordenou um ato público no centro da cidade distribuindo uma carta ? população, onde descreve os motivos do movimento.

Na reunião da Câmara Municipal desta segunda-feira, após o pequeno expediente, o vereador Lelo Pagani (PT) solicitou a paralisação dos trabalhos legislativos por 30 minutos para que Mané Leme, subisse ? tribuna do plenário e fizesse uma explanação geral das negociações que estão sendo feitas com a prefeitura.

Entre outras coisas Leme adiantou que a classe dos trabalhadores está com uma defasagem de 18,47% acumulado ao longo dos anos. “No ano passado nas negociações que foram feitas, fomos informados de que a reposição salarial não constava no orçamento para 2009 e o Executivo iria acertar a situação este ano, o que não aconteceu. Na proposta, ele cobriu a inflação, mas o que estamos querendo é recuperar as perdas dos últimos anos”, comentou leme.

Outro dado de Leme foi com relação ao Tribunal de Contas do Estado que permite que seja usado até 51,30% do orçamento com pagamento do funcionalismo. Hoje, segundo ele, esse percentual está em torno de 46% e não chegaria a 50% com a reposição salarial que os servidores estão pleiteando. “Por isso, não vemos razão para que esse reajuste de 10% não seja dado. Então, não estamos exigindo nada que não seja possível”, disse Mané.

Ele entende que a Prefeitura não poderia dar o montante de todas as perdas acumuladas nos últimos anos, mas revela que a proposta da prefeitura pode ser melhorada. “Estamos parados nos 6%, sem aumento no vale compra. Se a prefeitura melhorar a proposta poderemos chegar a um acordo. Caso ele (acordo) não aconteça, não teremos alternativa a não ser uma greve geral a partir do dia 1º de junho”, previu Leme.

“Por enquanto estamos com esperança que haja uma nova proposta da Administração. A direção do SISPUMB, não quer chegar ao ato extremo. Entendemos que todos iríamos perder com a greve e que o diálogo é o principal instrumento pacificador”, complementou o sindicalista.

{n}Nota oficial{/n}

A Prefeitura emitiu uma nota oficial sobre as propostas que foram feitas e as razões pelas quais não poderia atender as reivindicações do funcionalismo, para não comprometer o orçamento. A nota revela que “tomando como base o índice inflacionário de 5,49% apurado nos últimos 12 meses (período maio/2009 a abril/2010) e a previsão de arrecadação projetada para o município, foi fixado o valor de R$ 2,8 milhões para ser destinado ao reajuste do funcionalismo”.

Também está contido nesta nota que “o prefeito João Cury Neto compareceu pessoalmente ? Assembléia da categoria e tentou chegar a um acordo detalhando a limitações de natureza orçamentária que impedem a administração de oferecer percentual maior de reajuste e anunciou que enviará ao Poder Legislativo, decreto fixando em 6% o reajuste dos servidores públicos municipais”.

Fotos: Fernando Ribeiro