Projeto irá agilizar serviços à zona rural de Botucatu

A partir de um projeto desenvolvido de maneira transversal pela Prefeitura Municipal, Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), cerca de 1.300 propriedades rurais de Botucatu serão identificadas com placas padronizadas, que levarão o nome do recinto e um número.

As informações serão suficientes para a localização eficiente de sítios, chácaras e fazendas, principalmente em situações em que seja necessário o envio de alguma viatura policial ou ambulância até o local.

O projeto levou o nome de “CEP Rural”, um desdobramento do Programa Municipal de Acessibilidade Rural, que fez com que Botucatu fosse a campeã da categoria “Inovação em Gestão Estadual” do oitavo Prêmio Mario Covas, em maio de 2012.

Os primeiros beneficiados do projeto foram 200 moradores da chamada Baixada Serrana, setor 5 da zona rural de Botucatu, que no último dia 20 de abril se concentraram no salão Paroquial de Santa Cruz da Serra para receber as placas que deverão ser instaladas na frente das propriedades.

{n}Demanda da população{/n}

Isso foi possível através de um amplo mapeamento georeferenciado no qual foram identificadas, além das propriedades, todas as estradas, pontes e pontos críticos destes acessos à zona rural, visando também melhorar a logística do escoamento da produção e a circulação de pessoas.

“Assim poderemos também indicar, por exemplo, os trechos de estradas que precisam de conservação imediata”, argumenta o engenheiro agrônomo da Cati, Ricardo Henrique Casini Chiarelli.

As primeiras conversas ocorreram em 2009. Na época, buscavam-se alternativas para melhorar e ampliar o patrulhamento policial na zona rural, a pedido dos próprios moradores.

“Essas e outras melhorias amadureceram ainda mais no Orçamento Participativo [OP], no qual incluímos a população da zona rural. Antigamente, não conseguíamos sequer mobilizar gente para reivindicar pedidos do campo”, lembra o secretário municipal de Descentralização e Participação Comunitária.

Líderes da zona rural do Município também enaltecem a importância social do projeto. “Somos da zona rural, mas somos cidadãos botucatuenses. Temos o mesmo valor como qualquer pessoa lá em cima da cidade. Estamos incluídos no mundo”, afirma Nivaldo Pontes, subprefeito do Distrito de César Neto. “Além da inclusão, buscamos a justiça social no campo. Mas tudo isso só foi possível porque a população participou e houve articulação com a Cati e Prefeitura”, ressalta Henrique Monteferrante, representante do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural.

{n}Trabalho de formiguinha{/n}

Mas para que o trabalho desse certo, os envolvidos tiveram que se agarrar a uma característica do homem do campo: a paciência. Quatro agentes da Patrulha Ambiental da Guarda Civil Municipal percorreram por quase um ano cada palmo de estrada de terra ao lado de um funcionário da Prefeitura, com formação em Engenharia Agronômica e noções de informática.

“Foi mesmo um trabalho de formiguinha porque o território é muito grande. Além disso, para fazer a demarcação de forma mais precisa possível, não podíamos às vezes andar mais do que 40 km/h e ainda contar com ajuda do clima, porque até um dia mais nublado dificultava esse mapeamento”, explica o servidor municipal Eliel Antonio Nunes, que além de registrar as estradas e propriedades rurais com a ajuda de um GPS geodésico de altíssima precisão, fez também os traços de uma revistinha em quadrinhos para explicar, com uma linguagem simples, como funciona o projeto e orientar àquele que mora distante da área urbana.

Com a placa instalada, basta a pessoa informar o código da propriedade dela já cadastrado em um banco de dados compartilhado, inicialmente, com a Central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Guarda Civil Municipal, através dos respectivos telefones de emergência, 199 e 192. Assim, o motorista da viatura será informado e chegará até o local com o auxílio de um GPS.

“Tinha ambulância que chegava demorar até uma hora e meia para encontrar a propriedade na qual morava a pessoa. Com esse projeto prospectamos reduzir pela metade esse tempo, porque quando o assunto é saúde cada minuto conta na hora de salvar uma vida”, comenta o secretário municipal de Saúde, Claudio Miranda.

Para Claudio Vivan Pinto, diretor do Escritório Regional de Desenvolvimento Rural, o projeto desenvolvido em Botucatu pode muito bem ser replicado por todo o País. “É algo pioneiro, único no Estado de São Paulo e no Brasil talvez. Temos recebido consultas de outros municípios querendo se informar do projeto, que é extremamente barato”, avalia.

O prefeito de Botucatu, João Cury Neto, acredita que um projeto como este não apenas inclui, mas valoriza o homem do campo. “Nos últimos 40 anos muita coisa mudou. Não dá para a zona rural ficar isolada à tecnologia porque ela pode melhorar a vida das pessoas”, frisa.

{n}Setores da Zona Rural de Botucatu{/n}

1 – Mina / Rio Bonito / Oiti / Alvorada da Barra / Vitoriana
2 – Pátio 8 / Morro do Peru
3 – Demétria / Alto do Rio Capivara
4 – Colônia Santa Marina
5 – Baixada Serrana / Piapara
6 – Bairro dos Mouras / Araquá
7 – Monte Alegre
8 – Faxinal
9 – Chaparral / Rubião Júnior