Incerteza na Caio Induscar: Novas demissões podem ocorrer se demanda por ônibus não aumentar

Não é de hoje que a Caio Induscar passa por um momento delicado economicamente falando. Com a turbulência político-econômica que vive o país, o setor vem sofrendo bastante nos últimos dois anos. Em 2014, por exemplo, a Caio Induscar tinha 4.200 funcionários, número que caiu para aproximadamente 2.800. 

Em 2015 foram homologadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu 987 demissões. Em 2016 a empresa já dispensou 69 funcionários. A Irizar, com uma produção menor para ônibus rodoviário, demitiu 69 funcionários, sendo que em 2016 dispensou 5 pessoas de seus quadros. 

“Não sabemos se haverá novas demissões, porque tudo depende da situação do país e demanda por vendas. A filosofia de trabalho do Grupo Caio Induscar é manter a empresa equilibrada, preservando, ao máximo, os empregos”, disse ao Acontece Botucatu o Diretor Industrial da Caio Induscar Maurício Lourenço Cunha.

Se há incerteza sobre novos cortes, a empresa diz que em um curto prazo não haverá suspensão de trabalhos ou férias coletivas. Mas Maurício Lourenço Cunha reafirma a necessidade de reaquecimento do mercado para reequilíbrio do setor, uma realidade um pouco distante.  

“Assim como outros segmentos, o de ônibus sofreu o impacto da instabilidade política e econômica do país, tendo diminuição de encomendas. Nossa área comercial, tanto do mercado interno quanto externo, está trabalhando arduamente na prospecção de vendas, mas não temos perspectivas de encomendas que possam melhorar o quadro atual. Estamos fazendo de tudo para não piorar”, colocou o executivo.

Apesar da situação dramática, há o consenso de que o grupo Caio Induscar não trabalha com a hipótese de fechar sua produção. “A empresa preza pelo seu equilíbrio financeiro e não há a possibilidade de fechar os portões. Coloca de forma taxativa Cunha.

Competição e benefícios

O Diretor Industrial da Caio Induscar também comenta sobre as vantagens que outros estados levam em relação ao que se pratica no território paulista. “O estado do Rio de Janeiro, um dos maiores mercados de ônibus urbanos do Brasil, oferece três benefícios a encarroçadoras locais, ligados ao cálculo do ICMS. Neste momento difícil para a economia do país, ter estes benefícios também no estado de São Paulo ajudaria, e muito, no equilíbrio das condições competitivas”, lamenta Cunha.

Recentemente o Deputado estadual Fernando Cury (PPS) se posicionou sobre o assunto. Ele participou no início de março de uma reunião entre representantes da Caio Induscar e da Secretaria Estadual da Fazenda para cobrar a adoção de medidas que garantam a livre concorrência com empresas do ramo sediadas em outros estados.

Em Botucatu as empresas estão sofrendo há anos com a concorrência de Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. No Rio, além do crédito presumido do ICMS de 3%, as fábricas obtêm descontos de 100% do ICMS quando adquirem matéria-prima de empresas situadas no estado e quando o produto importado entra no Brasil pelo próprio estado.

Queda em todo o setor

Segundo informações do blogpontodeonibus.wordpress.com, a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores divulgou na última quarta-feira, dia 06, o balanço de produção e licenciamentos de veículos, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano.

Em relação aos segmentos de veículos transporte coletivo, a queda de produção de ônibus no primeiro trimestre de 2016 foi de 43,5% em comparação ao mesmo período de 2015, que já foi um ano negativo para indústria automobilística, em especial, de veículos pesados, como ônibus e caminhões.

A queda de produção de caminhões nesse primeiro trimestre foi de 35,2% em relação ao mesmo período de 2015. Foram produzidos de janeiro a março de 2016, 4.339 ônibus, entre urbanos e rodoviários, e 15.113 caminhões.

(Júnior Quinteiro)