Funcionários que prestavam serviço terceirizado para o HC de Botucatu estão sem receber direitos trabalhistas

Ficar sem emprego de uma hora para outra em tempos de turbulência econômica já é um desastre e não receber as verbas rescisórias agrava ainda mais a situação do trabalhador. Pois é exatamente esse drama que aproximadamente 30 cidadãos estão passando em Botucatu.

A empresa em questão é o Grupo Náscer, que em Botucatu presta serviço para Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina. “Em geral ela presta serviço para a recepção da universidade. Um grupo de 30 trabalhadores foi mandado embora sem sequer assinar a rescisão. Isso mesmo, fomos mandados embora e não assinamos nada, apenas o aviso prévio”, comentou Ivan Bartoli, um dos trabalhadores desassistidos.

Bartoli ainda relatou ao Acontece Botucatu que muitos não possuem sequer todo o valor do FGTS depositado. “Eu, por exemplo, trabalhei por dois anos no local através da Náscer, e tive apenas R$ 500,00 de FGTS, quando nossas contas davam um valor bem maior. Tenho os extratos comigo”, relatou.

Os trabalhadores vão mais além e acusam a prestadora de serviço de assédio moral. Luiz Alonso Gonçalves disse que foi mandado embora por reclamar de salários atrasados. “Eu estava com meus salários atrasados, e não estava conseguindo pagar minhas contas. Cobrei a empresa e não obtinha resposta. Tenho família, sou trabalhador e não achava justo essa situação. Diante disso fui procurar a imprensa para relatar esse descaso. Para meu desespero fui mandado embora por conta disso”, disse Alonso.

Segundo disse Ana Paula Ferreira, uma das demitidas, a carga horária imposta também era abusiva, e os trabalhadores eram obrigados a aceitar. “Nós trabalhávamos 12 horas seguidas e folgávamos 12 horas, daí voltávamos a trabalhar 12 horas, folgando outras 12 horas. Eram 12 horas ininterruptas”, conta Ana Paula, que ainda relata não ter recebido ou mesmo assinado o holerite.

Segundo esse grupo de trabalhadores, quase todos eram obrigados a ficar em silêncio, sob a ameaça de serem demitidos. “Eles diziam que era melhor a gente se calar e não reclamar, pois, seríamos mandados embora. Todo mundo tem família, ninguém pode bater de frente e falar que não quer mais trabalhar”, contou uma ex-funcionária que não quis se identificar.

O grupo espera ao menos receber as verbas rescisórias. “Não recebemos férias, décimo terceiro, multa do FGTS, entre outros benefícios que são nossos direitos”, colocou Luiz Alonso Gonçalves.

Para Ivan Bartoli, outra questão está incomodando os trabalhadores, a atitude do Hospital das Clínica perante o caso. Segundo ele, o HC tinha o dever de fiscalizar o que está ocorrendo com os trabalhadores. “O Hospital é gestor do contrato e não faz nada, faz que não vê, fica em silêncio. Isso que nos causa indignação, a omissão do HC quanto a isso. Eles não quiseram nos ouvir, mas tinha a obrigação de fiscalizar tudo isso”, coloca em tom de desabafo Bartoli.

 

Em nota o Hospital das Clínicas apenas se limitou a dizer o seguinte:

‘’O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) informa que tem cumprido todas as obrigações em relação à empresa terceirizada NÁSCER’’.

 

O que diz a empresa Náscer ?

O Acontece Botucatu fez contato telefônico com o senhor Altair Cardoso dos Santos, gerente regional do grupo Náscer em Botucatu. Ele disse que a empresa está em dificuldades financeiras, reconhece as pendências, mas que existe a intenção de acertar com todos.

Ficou acordado que o representante da empresa mandaria um e-mail com uma nota sobre o caso, o que não ocorreu mesmo após uma semana do contato.

O Grupo Náscer atua há mais de 10 anos no ramo comercial de prestação de serviços. Tendo destaque voltado para as áreas de Segurança, Portaria e Serviços Gerais. Em seu site a empresa usa os termos seriedade e honestidade e excelência em serviço.