Funcionários optam pela greve no transporte coletivo

Fotos: Valéria Cuter

“Como não houve acordo, posso dizer que a greve no transporte coletivo de Botucatu está decretada”. Foi o que disse na tarde desta segunda-feira o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Manuel, Geraldo Navas, depois de realizar uma assembléia em frente da garagem da empresa Sant´Anna, na Cohab I.

O advogado do sindicato Márcio de Paula Assis, leu a proposta de reajuste salarial apresentada pelas empresas concessionárias de 7% de aumento e mais dois abonos de R$ 100,00 da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a serem pagos nos meses de novembro de 2012 e março de 2013. Destacou que o sindicato negocia um reajuste em torno de 17%, que seria para cobrir a inflação do período, de 4,88%, mais 12% de perdas salariais. Dos 84 funcionários que estiveram na assembleia, 70 optaram pela greve e 14 aceitaram a proposta das empresas.

De acordo com o sindicato a lei prevê que as empresas, assim como a Prefeitura Municipal e usuários, sejam comunicadas 72 horas antes da paralisação. “Já estamos com o edital pronto para ser enviado ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Vamos fazer tudo de acordo com a lei. A partir da primeira hora de sexta-feira, 70% da frota dos ônibus não irão circular em Botucatu. Somente 30% dos carros irão ? s ruas para atender emergências”, garantiu o presidente do sindicato.

O advogado Leonardo Cyrillo, que representou a empresa Sant´Anna acompanhou a movimentação em frente a garagem e disse que a greve será julgada pelo TRT. “Estive acompanhando as negociações do transporte coletivo a nível nacional e posso assegurar que não existe uma proposta melhor do que a que foi apresentada pelas empresas de Botucatu. Como não houve acordo, temos que aguardar o que o Tribunal vai decidir”, disse Cyrillo.

{n}No limite {/n}

Os gerentes das empresas concessionárias Sant´Anna e Stadtbus, Antônio Paula Ruiz e Jeferson Mattos, respectivamente, alegam que chegaram ao limite da negociação e um aumento maior do que proposto seria inviável. Alegam que as tarifas estão no mesmo patamar desde junho do ano passado e nesse período o combustível subiu assim como as peças de reposição dos carros. Também afirmam que o número de passageiros diminuiu, a quilometragem percorrida, em algumas linhas aumentou e o reajuste das tarifas só vai acontecer em novembro.

Ele adianta que uma greve causaria prejuízo a milhares de usuários. “O sindicato pode fazer a greve, mas terá que arcar com as consequências. Em todas as recentes greves no Brasil o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou 7% de reajuste e estamos oferecendo acima disso com os abonos”, lembrou Ruiz.