Ferroviário diz que trens vão continuar descarrilando

Durante o ano de 2012, vários descarrilamentos de trens foram registrados na região de Botucatu, na malha ferroviária da antiga Ferrovia Paulista Sociedade Anônima (Fepasa), hoje administrada pela América Latina Logística (ALL) S/A. Para o sindicalista e ferroviário aposentado Hélio Maschetti, a manutenção na linha não vem sendo realizada de maneira adequada e, em conseqüência disso, os acidentes acabam acontecendo.

“Pode escrever aí que os acidentes vão continuar acontecendo em 2013”, previu Maschetti salientando que a situação atual da ferrovia é uma tragédia anunciada. “Muitos dormentes de madeira que sustentam os trilhos estão podres e não suportam o peso das locomotivas. Não é preciso ser técnico para observar o estado precário da estrada. É só caminhar pelos trilhos e ver a gravidade da situação”, alertou o sindicalista.

Ele entende que se medidas urgentes não forem tomadas contra a ALL, os acidentes irão resultar em vítimas fatais. Lembra que não é raro ver pessoas caminhando ao lado dos trilhos, principalmente, nas proximidades das cidades que são cortadas pela malha ferroviária, como Botucatu, onde os trens circulam transportando toneladas de diferentes produtos.

“Estão sendo feitos reparos na antiga estação para ser usada pela população, mas eu pergunto: como colocar pessoas na plataforma? Além dos descarrilamentos que causaram tombamento de vagões carregados de produtos químicos na região este ano, por três vezes houve acidentes com a locomotiva batendo contra pilastras e teto da nossa estação. Como, então, vamos arriscar deixar pessoas naquela plataforma? É uma temeridade!”, comentou.

E ele continua: “Houve um caso recente em que uma locomotiva “puxando” vários vagões carregados trafegou por mais de 800 metros fora dos trilhos, passando em frente da estação e por cima do Viaduto Arlindo Granado, que liga o centro da Cidade com a Vila dos Lavradores. Imaginem se esse trem cai na Avenida Floriano Peixoto, que passa abaixo do viaduto e tem um fluxo de veículo intenso. Seria uma tragédia”, disse Maschetti.

Como solução o sindicalista afirma que as cidades da região cercadas pela malha ferroviária explorada pela ALL, deveriam se unir e acionar o Ministério Público, respectivo, e exigir uma definição da empresa. “A continuar do jeito que está, podemos esperar outros acidentes. Só temos que torcer para que não ocasionem vítimas fatais”, encerrou Maschetti.

Vale lembrar que a ALL é uma empresa de logística da América do Sul e Companhia Ferroviária do Brasil. Foi fundada 1997 e assumiu os serviços ferroviários no Brasil após o processo de privatização do setor. Desde 2006 é detentora do uso do direito da malha ferroviária da antiga Ferrovia Paulista Sociedade Anônima (Fepasa), abrangendo toda a região do Centro Oeste Paulista.