Feira livre da Catedral continua mantendo a tradição

Fotos: Valéria Cuter

Um dos tipos de comércio que continua vivo na cidade de Botucatu são as feiras livres. Em muitos locais da cidade os comerciantes se aglomeram e montam suas barracas. E foi-se o tempo em que essas feiras só comercializam verduras. Hoje se vende um pouco de tudo. A gosto do freguês.

A feira mais tradicional da cidade, sem dúvida, é a que se instala semanalmente na Avenida Santana, em frente Catedral Metropolitana de Botucatu, região central da cidade. Todas as quintas-feiras, muito antes do amanhecer os feirantes, todos devidamente cadastrados, chegam e armam suas barracas. Depois tomam o café e, pacientemente, esperam o dia clarear para atender a freguesia.

O interessante é que a maioria dos feirantes já tem a freguesia certa. Ou seja, eles já trazem os produtos encomendados na semana passada. E os consumidores nem procuram pesquisar preços ou observar a qualidade de outros produtos. Só vão onde estão acostumados a comprar toda semana. Simplesmente, ignoram as outras barracas, mesmo que paguem mais caros pelo que irão consumir.

{n}Pechinchando{/n}

Mas nem todos os consumidores são assim. Existem fregueses que, antes de efetuar suas compras, perambulam pelos corredores da feira, especulando preço e observando os produtos que estão sendo oferecidos. Assim é a dona de casa, Ester Marina Do Carmo, de 58 anos e que há pelo menos 40 anos freqüenta a feira da Catedral.

“Para mim a quinta-feira é sagrada. É dia de feira. Venho aqui nem que seja para comprar só um pé de alface. Já me acostumei com isso. Passeio pelas barracas, observo os produtos que estão oferecendo e faço as compras. Eu não compro nada de cara. Depois, como o meu pastel de carne e vou embora”, conta a mulher.

Já o comerciante aposentado Ernesto Olimpio da Costa, de 60 anos, procura sempre o melhor preço. E não tem vergonha de pechinchar. “Aqui a gente tem mesmo que saber pechinchar. Às vezes venço o vendedor pelo cansaço. Já fui vendedor e sei bem como é isso. A gente não tem muito dinheiro, por isso é preciso gastar bem e comprar um pouco de tudo, mas sei que dou trabalho para os vendedores”, reconhece Costa.

{n}Xepa{/n}

Mas são, também, freqüentadores da feira aquelas pessoas que só chegam quando os feirantes estão desarrumando suas barracas para ir embora. Neste perfil se enquadra a cozinheira Lurdes dos Santos Canotta, de 54 anos de idade. Ele explica os motivos que a fazem chegar tarde ? feira, que é conhecido como “xepa”, ou final de feira.

“Aprendi que quando os vendedores estão arrumando os caixotes é a melhor hora para comprar. Os preços caem bastante. Existem produtos que se não vender podem se estragar. Então é nessa hora que aproveito. Os vendedores preferem vender mais barato a arriscar estragar suas frutas e verduras. Já teve dia aqui de eu levei uma sacolada de bons produtos e gastei apenas R$ 7,00. Gasto, no máximo, R$ 10,00 por semana”, conta.

Comer o pastel de feira. Esse é o motivo pelo qual o taxista Félix Eduardo “Duda” Lopes, 47, visita a feira da Avenida Santana toda semana. “Não quero fazer propaganda, mas o pastel daqui é muito gostoso. Toda quinta-feira venho aqui, mas nem passo pelo meio da feira. Meu destino é esta barraca. Grande parte dos funcionários da prefeitura dá uma passadinha para comer um pastelzinho antes de ir trabalhar. Feira que não tem pastel, não é feira”, filosofa.