Estação Ferroviária começa a ser restaurada

Inaugurada em outubro de 1934, a Estação Ferroviária de Botucatu representa uma das páginas mais importantes da história da Cidade. Os trilhos da estrada de ferro Sorocabana chegaram como consequência do café e representou um dos marcos de desenvolvimento do Município.

Foi ao redor desta estação que um dos bairros mais tradicionais de Botucatu se formou, a Vila dos Lavradores, que se tornou reduto das famílias dos ferroviários. Além dos serviços de transporte de carga, o local recebia centenas de passageiros que utilizavam o trem como principal meio de transporte.

Os anos se passaram, Botucatu cresceu, e vieram os veículos motorizados que foram incorporados no sistema viário. Em 1999, a Estação Ferroviária foi desativada. A ação do tempo e de vândalos desfigurou o local, deixando uma ferida no coração dos botucatuenses.

Mas esse tesouro começou a ser recuperado na semana passada pelo Poder Público Municipal. A primeira etapa do trabalho na Estação Ferroviária de Botucatu deverá durar em torno de quatro meses e está avaliada em cerca de R$ 1 milhão.

A Prefeitura investirá em torno de R$ 400 mil e outros R$ 600 mil serão financiados pelas empresas Duratex e Caio Induscar através do Proac (Programa de Ação Cultural) do Governo do Estado.

As ações contemplam a recuperação completa do telhado, da fachada principal, limpeza do saguão, preservação dos vitrais e instalação de alambrado ao longo da plataforma de embarque e desembarque de passageiros.

A Prefeitura de Botucatu contratou para execução das obras a empresa Estúdio Sarasá, especializada em restauração, que tem em seu portifólio trabalhos importantes como o projeto de restauro do Teatro Municipal de São Paulo e o restauro do solar da Marquesa também na capital paulista.

A empresa também executará o projeto de restauração do Edifício Martinelli, do Obelisco de 1932 no Ibirapuera e do Quartel da Cavalaria, no bairro da Luz. O projeto ainda prevê um trabalho de educação patrimonial que será executado pela empresa Producom.

{n}Risco{/n}

De acordo com o conservador restaurador Antonio Luís Ramos Sarasá Martin o prédio da antiga estação apresenta vários danos e patologias. “A estação está bem degradada. Têm vegetações, ação de deterioração, cobertura totalmente deteriorada, as argamassas com soltura, problema de exposição dos próprios tijolos. Vamos resgatar primeiro a sanidade do edifício e depois o próprio uso. Se nada fosse feito, em pouco tempo o prédio poderia estar entrando em situação de ruína. Os elementos estão se desprendendo, caindo. Se deixasse muito tempo, logo teríamos o colapso da cobertura. Ainda conseguiremos resgatar muito do prédio. Mais um pouco seria impossível”, adverte.

“O prédio da estação tem um valor importante já que faz parte do desenvolvimento econômico e cultural da cidade. Será resgatado seu poder de relação com Botucatu e vamos colocar esse potencial ? disposição da sociedade”, completa.

{n}Opiniões {/n}

Para Edivaldo Culichi, 59 anos, ferroviário aposentado, a restauração da Antiga Estação representa um resgate da história de Botucatu. “Comecei como ajudante geral e cheguei ? maquinista. Foram quase 30 anos dedicados ? ferrovia. Quando vejo essa reforma sendo feita, lembro-me do tempo que o prédio ficou parado, sendo depredado. Agora o sentimento é de alegria porque poderemos mostrar para essa nova geração de botucatuenses a história da Cidade através da ferrovia”, afirma.

O secretário de Cultura, Osni Ribeiro, destaca que a atual gestão sempre demonstrou preocupação com o patrimônio ferroviário e garantiu a posse da maior parte dos imóveis existentes na cidade, condição fundamental para que o processo de recuperação pudesse ser iniciado.

“O restauro da estação vem dar visibilidade para que a população possa entender a importância e ter novamente a sensação de pertencimento do espaço. Os ferroviários, as pessoas que circularam e trabalharam naquele espaço têm uma memória muito viva e sentem falta disso. Talvez seja a obra, o acontecimento relacionado ? cultura mais importante nas últimas décadas”, declara.

Já o historiador e secretário municipal de Descentralização e Participação Comunitária, João Carlos Figueiroa, diz que a estação ferroviária já precisava de uma restauração mesmo na época em que estava funcionando porque vários espaços como o telhado e as paredes sofriam sem manutenção.

“Já são 13 anos que a estação deixou de funcionar e ela só veio degenerando. Até que Botucatu conseguiu fazer uma manutenção que segurou um pouco a invasão e a depredação. A população se mobilizou. Durante esse período, o senhor Góes, de modo voluntário, vinha varrer a estação, afugentando os depredadores. Compareceu como cidadão. Todos ficarão contentes, principalmente a família ferroviária”, comenta.