Disputa de sindicatos gera confusão na Cecap

Nesta sexta-feira, 06, um forte aparato policial foi chamado para mediar uma situação de conflito entre dois sindicatos na área da saúde. Em uma residência na Rua José dos Santos, bairro Cecap, iria ocorrer Assembleia Geral de Fundação do “Sindicato dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem de Botucatu, mas a mesma foi cancelada após uma manifestação comandada pelo Sindicato dos Enfermeiros já existente.

Estiveram presentes nessa manifestação diversas siglas sindicais, como CUT, Sindicato dos Metalúrgicos, Sindicato dos empregados da Construção Civil, além da diretoria do Sindsaude – SP. Aproximadamente 100 pessoas tentavam anular a Assembleia do novo sindicato.

“Quando tem a fundação de um novo Sindicato, há um edital de convocação. Existe um racha na categoria, ou seja, a criação de um sindicato que na verdade já existe e representa a categoria. Isso nós não podemos permitir”, disse Leonice Ferreira, vice-presidente do Sindsaude –SP, Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde do Estado de São Paulo.

Segundo algumas testemunhas, profissionais foram impedidos por pessoas de outras bandeiras sindicais de entrarem na rua onde iria acontecer a Assembleia. A Polícia Militar foi acionada para dar segurança nas imediações.

“Nós já atendemos toda a demanda da categoria, discussões salariais entre muitos outros assuntos. A criação desse novo sindicato não pode acontecer, pois já existe um que zela pelos interesses da categoria”, colocou Natanael da Costa, diretor do Sindicato dos Enfermeiros já estabelecido em Botucatu.

Com palavras de ordem e gritos contra advogados e políticos presentes no local para intermediação, o protesto se tornou pacífico do ponto de vista físico, embora o clima estivesse hostil para determinadas pessoas. A Assembleia de Fundação do novo sindicato foi cancelada.

Segundo Alexandre Lopes, diretor do Sindicato dos Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem de Botucatu, a criação deste novo instrumento tinha o objetivo de assistir de perto os trabalhadores de enfermagem de Botucatu.

“Queríamos buscar melhores condições de trabalho e reconhecimento da profissão, coisa que hoje não ocorre. Não falo somente por mim, mas por todos os trabalhadores que hoje percorrem os corredores dos hospitais. A sensibilização por um sindicato na cidade partiu dos próprios funcionários. Muitas reclamações têm sido feitas aos atuais sindicatos regionais. Fato esse foi quando a Famesp demitiu mais de 60 empregados, não só da enfermagem e o sindicato regional não se manifestou. Além disso a nossa intenção era buscar uma boa relação entre empregado e empresa, visto que ambas as partes ganham com isso”, colocou Alexandre Lopes.

O encontro que culminaria com a Assembleia contou com a presença de profissionais da saúde, advogados e vereadores. O movimento de fundação do sindicato foi cancelado sem que uma data pudesse ser marcada.

"Estive na assembleia para entregar uma moção de apoio de minha autoria. Ao chegar no local foi informado pelo advogado, via telefone, de que assembleia não aconteceria mais. Então procurei as lideranças da CUT, MSL e outras que estavam lá para informar da suspensão da assembleia. Fui cumprir o meu papel de vereador e ajudar na manutenção da ordem pública, uma vez que tinha no local mais de 100 pessoas. E o ambiente estava hostil. Tive dificuldades para ingressar onde iria ocorrer assembleia e depois o ingresso foram proferidas palavras de ordem contra minha presença, como por exemplo, não vai ter golpe, este vereador apoia o impeachment e outras coisas. Apesar da truculência, graças a Deus nenhum incidente grave ocorreu e o problema foi resolvido”, disse o vereador Izaias Colino.