Definida empresa que construirá centros à pessoa deficiente

A Copel (Comissão Permanente de Licitações) da Prefeitura de Botucatu realizou a abertura dos envelopes com as propostas das empresas participantes das concorrências públicas para construção de dois grandes equipamentos públicos voltados prioritariamente ao atendimento das pessoas com deficiência: o Centro de Inclusão e Tecnologia e o Centro de Inclusão Esportiva.

Essas novas estruturas serão instaladas em terreno ao lado do ginásio municipal de esportes “Mário Covas Júnior”, no Bairro Alto e são fruto de convênio assinado entre o município e o Governo do Estado de São Paulo. Nos dois processos licitatórios a vencedora foi a empresa 2N Engenharia Ltda. por apresentar as propostas com os menores valores.

O grande número de empresas participantes dos certames colaborou para que a economia aos cofres públicos ultrapassasse os R$ 600 mil. A construção do Centro de Tecnologia e Inclusão Social, que estava orçada em R$ 2.160.065,23 será executada ao preço de R$ 1.776.581,33. Já o Centro de Inclusão Esportiva, avaliado em R$ 1.501.256,36 será construído por R$ 1.256.093,86.

“Teremos o privilégio de contar com dois grandes equipamentos que atenderão toda nossa região. Há muitas pessoas com deficiência que estão em casa, esperando uma oportunidade para ingressar no mercado de trabalho. Outras há muito tempo aguardavam poder contar com instalações adequadas para a prática de atividades físicas. É exatamente esse público que vamos atender oferecendo preparação para o mercado de trabalho e uma grande estrutura esportiva”, declarou o prefeito João Cury.

O Centro de Tecnologia e Inclusão Social terá pouco mais de 1.600 metros quadrados de área construída e abrigará Oficina de Orientação Profissional, Oficina Cultural (Teatro/Vídeo), Oficina de Artesanato, Oficina de Informática, Oficina Multiuso, Acessa São Paulo e Acessinha São Paulo, Pátio de Convivência, anfiteatro, sanitários adaptados, recepção, diretoria, secretaria e anfiteatro para 200 pessoas.

Já o Centro de Inclusão Esportiva contará com quadra poliesportiva, salão de fisioterapia, vestiários, administração, piscina de hidroterapia (aquecida) e piscina semi-olímpica com 4 raias (aquecida). As duas obras têm prazo de execução de oito meses.
Numa segunda etapa, a Prefeitura e o Governo do Estado discutirão a parceria que será firmada para garantir a aquisição de mobiliário e equipamentos, além de definir a forma de custeio dos dois centros.

{n}Grande Conquista {/n}

Na visão do assessor especial em Acessibilidade e Inclusão Social da Prefeitura de Botucatu, Paulo Malagutte, a instalação desses novos equipamentos em Botucatu contribui para a consolidação da política estadual de atenção aos direitos da pessoa com deficiência e abre caminho para que o município se transforme em referência no Estado.

“Você trazer investimentos dessa importância para uma região como Botucatu, onde nos municípios do entorno não existe um equipamento desta grandeza, nos desperta um sentimento de satisfação e conquista. Botucatu teve a graça de receber esse equipamento que nos permitirá atender uma demanda existente através de capacitação, orientação profissional, orientação para o mercado do trabalho e atividades voltadas ao esporte que atenderão as cidades vizinhas”, declara Malagutte.

Segundo ele, apesar das escolas e organizações públicas e privadas estarem se preparando para atender as demandas das pessoas com deficiência, ainda existe um gargalo em relação a chamada inclusão através do trabalho. “O Centro de Tecnologia e Inclusão Social vem para atender a demanda por capacitação e orientação para o mercado de trabalho, uma carência que temos hoje. Esse centro contará com todos os equipamentos necessários para atender a pessoa com deficiência, para capacitá-la e na vida adulta ter expectativa ou oportunidade através do trabalho”.

Já o Centro de Inclusão Esportiva envolverá toda a área de habilitação através do esforço e atividade física. “Isso garante um reflexo muito importante na saúde da pessoa com deficiência que já tem uma vida mais sedentária por sua condição. Teremos piscina para prática de natação, piscina de hidroginástica, sala de ginástica, fisioterapia. Não existe no estado outro complexo do mesmo porte do que será construído em Botucatu. É o maior convênio assinado pela secretaria”, destaca Malagutte.

Ao longo desse ano, representantes da Prefeitura e das entidades que prestam atendimento às pessoas com deficiência definirão o plano de trabalho para utilização dos dois centros. “Vamos ver quais os equipamentos e serviços que já existem no município e como vamos trabalhar com essa clientela. Teremos um ano para planejar e escrever o plano de trabalho para quando terminar as obras estar com isso já compartilhado com as entidades e com a demanda que as escolas estão trazendo. Precisamos saber qual a expectativa das pessoas com deficiência em relação ao mercado de trabalho. Quais os cursos que nos darão mais oportunidades de encaminhamento. Hoje temos indústrias de grande porte em Botucatu que procuram trabalhadores com deficiência mas encontram dificuldade na formação. É mais uma porta que poderemos acessar a partir da capacitação que pretendemos criar dentro desse centro”, afirma Malagutte.

Na sua opinião, Botucatu caminha para ser uma referência no atendimento à pessoa com deficiência no estado. “Ainda é preciso destacar a instalação do Centro Lucy Montoro. Botucatu terá condições de fazer atendimento na saúde dentro do próprio município com habilitação e reabilitação. Tendo condição motora, condição de locomoção facilitada pelos tratamentos que o Lucy Montoro vai oferecer, a pessoa passa a ter mais oportunidade de freqüentar esses outros serviços que estão sendo criados. Se você pensar que um município de 130 mil habitantes vai possuir uma unidade do Lucy Montoro, um Centro de Inclusão Esportiva totalmente adaptado, um Centro de Tecnologia e Inclusão todo ele voltado à pessoa com deficiência, é uma condição diferenciada. A gente desconhece uma cidade com esse número de habitantes com uma estrutura como essa”.

O assessor deixa claro que os centros a serem construídos não atenderão exclusivamente pessoas com deficiência. “A ideia é que tenha toda tecnologia voltada para qualquer tipo de deficiência, mas definiremos um plano de trabalho que contribua para a inclusão, inclusive de idosos. Será um centro grande, com auditório para duzentas pessoas, seis módulos que poderão ser utilizados conforme a necessidade. Se uma fábrica abre dez vagas para determinada função, a gente poderá projetar o serviço que o cidadão executaria naquela empresa. Vai receber todo o treinamento para depois ser encaminhado ao mercado de trabalho. É um gargalo que existe hoje em vários municípios. Existe a vaga mas não existe a capacitação, a interação entre a formação e o mercado de trabalho. É isso que a gente acredita que o centro vai proporcionar em Botucatu”.