Constantes quedas de energia incomodam sitiantes de Botucatu

João MasquetoNos tempos atuais é difícil nos imaginarmos sem energia elétrica. É tudo tão automático que pouco nos damos conta de que ela está em quase tudo que nos cerca. Mas basta uma interrupção no fornecimento de energia que a coisa complica. Luzes apagadas, geladeira desligada, chuveiro com água fria, ar condicionado desligado, portão elétrico no modo manual, etc. Poderiamos listar várias situações em que a energia elétrica se mostra como algo que se tornou indispensável para vida na cidade.

No campo isso não é diferente. Com a popularização dos eletrodomésticos, no final dos anos 80, qualquer propriedade rural tem geladeira, televisor, lâmpadas elétricas e muitas outras facilidades. Sem contar os implementos agrícolas que são movidos à energia elétrica, como trituradores, bombas d’água e muitos outros. A queda de energia na cidade faz praticamente o mesmo efeito na zona rural. Mas há uma diferença fundamental: o tempo de retorno da rede afetada é muito maior nos sítios.

As bases das concessionárias de energia ficam na cidade. Com o enxugamento dos quadros de funcionários, as equipes estão reduzidas. Assim sendo, um chamado na zona rural parece não ser prioridade para as empresas. Prova disso é o problema vivido por moradores da região da fazenda Edgárdia, em Botucatu.

Seo João Masquetto, de 75 anos, mora há 8 no sítio São Roque. Vive sozinho, com alguns cachorros, algumas cabeças de gado e muitos passarinhos, que vão na varanda da casa para comer farelo de milho que o aposentado deixa em um bambu cortado ao meio. Um lago, as árvores nativas e os pés de fruta tornam o ranchinho especial. Poderia ser um pedaço do paraíso, se não fosse a constante falta de energia elétrica no sítio. Sábado, 27, foi o último episódio.

 

A familia do Sr. João Masquetto coleciona protocolos da CPFL.

 O sitiante aposentado dorme com a lanterna perto das mãos

À noite a energia sumiu das tomadas e só retornou no dia seguinte, já no final da tarde. “É sempre assim. Para o senhor ter uma idéia, no dia 19 de fevereiro ficou 22 horas sem energia aqui no sítio. Pra não estragar as coisas na geladeira eu ligo um gerador que tenho aqui, que é só pra emergência.

Não é pra ficar funcionando dia e noite. Ele usa um litro de óleo diesel por hora, nesse dia foram mais de 20 litros. Gastei quase R$ 70,00 de óleo só num dia, que é mais do que eu pago por mês na conta de luz”, contou o aposentado. “Eu durmo com a lanterna perto da minha mão. Quando eu percebo que acabou a força (energia), eu pego a lanterna e subo para ligar o gerador. Tem que atravessar todo o pomar para chegar lá e só dá para fazer isso com a lanterna na mão”, finalizou.

Ele mora sozinho e já sofreu um infarto, situação que causa preocupação nas filhas Lucinéia e Léia Masquetto, que vivem na cidade, mas não descuidam do pai. “Nós demos dois celulares para ele e quando acaba a energia, ele nos liga. Mas é uma preocupação muito grande para nós. Ficamos com o coração na mão”, desabafou Lucinéia. “Em 2014 nós ligamos na ouvidoria e foi feito uma verificação aqui na rede. Depois disso melhorou durante um tempo, mas agora começou de novo e não consigo falar mais na ouvidoria. Os atendentes do 0800 não resolvem. Tem que vir uma equipe aqui e correr toda a linha para descobrir onde está o problema.”

 

Para seo "Lindo", a situação está feia

Um pouco a diante na mesma estrada rural, outro aposentado sofre com o mesmo problema. A casa é mais simples e não tem gerador. Seo Olindo Modesto da Silva também mora sozinho e a única companhia é a televisão. Em dia de chuva ou durante a noite ele fica na sala vendo os programas que fazem o tempo, que parece lento na zona rural, passar um pouco mais rápido.

Mas às vezes a TV desliga sozinha, a luz apaga e seo Lindo, como é conhecido, precisa apelar para as velas para andar pela casa. “Eu tinha até um maço de vela aqui nesse final de semana, mas gastei todas. Demorou muito para voltar a energia, aí eu vou deitar e fico lá no escuro até amanhecer”, reclamou o trabalhador rural.

 

 

Escondendo os 77 anos atrás de uma força física invejável, o homem não esconde o descontentamento com a concessionária de energia. “Eu não tenho telefone, moro sozinho e não tenho ninguém para me ajudar aqui. Quando acaba a força, eu dependo de os vizinhos ligarem para a empresa de luz. Se ninguém ligar eu fico na mão”, desabafou.

 

O isqueiro maltradado que seo Olindo usa para acender as velas na escuridão

 

CPFL

O Acontece Botucatu enviou e-mail à assessoria de imprensa da CPFL na manhã desta terça-feira, 01. A CPFL Paulista informou que recebeu os questionamentos da reportagem, está realizando um levantamento para apurar o caso, e responderá o mais breve possível.