Chuva com fortes ventos deixam rastro de destruição na Cidade

Fotos: Valéria Cuter

Desabrigados, inundações, transbordamentos, quedas de árvores, destelhamentos de casas, quedas de muros, rompimentos de fiações elétricas, quedas de placas de publicidade, calçadas danificadas. Foram estas algumas ocorrências registradas pela população, em razão das fortes chuvas com rajadas de vento que desabaram no Município na noite desta quinta-feira, por volta das 21h30. Diferentes bairros da cidade foram atingidos.

Das 22h30 de quinta-feira até as 7 horas desta sexta-feira o coordenador de Defesa Civil do Município, Domingos Chavari Neto, havia computado o atendimento 54 ocorrências. Também o Corpo de Bombeiros foi bastante acionado em razão de várias quedas de árvores, muitas chegaram a impedir ruas ou danificar casas. Os casos mais graves atendidos pelos bombeiros foram os resgates de três pessoas presas em enxurrada e a queda de um motoqueiro. Todos sofreram escoriações leves.

“Estamos correndo sem parar desde a primeira hora desta sexta-feira nos deslocando por vários bairros da Cidade procurando atender as pessoas atingidas e avaliando a gravidade de cada situação. Em alguns casos de casas destelhadas orientamos as famílias em situação de risco para ficarem alojadas no Ginásio Municipal, mas ninguém aceitou e cobriram, provisoriamente, com lona ou plástico, ou foram para casa de parentes até que o tempo melhore”, comentou Chavari. “Realmente, a chuva deixou a Cidade em alerta e apesar dos danos materiais terem sido consideráveis nenhum morador ficou ferido”, acrescentou. De acordo com a CPFL, 21 mil unidades consumidoras ficaram sem energia.

Dinival Martins, professor de climatologia da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, explica que a massa de ar quente antes parada sobre a região de Botucatu foi deslocada por uma massa de ar fria do Sul. “Com a chegada de outra massa úmida da Amazônia, veio a chuva. A deslocação dessas massas também acelerou a formação dos ventos, que ficam mais fortes quando são ‘canalizados’ por conta dos muitos relevos acidentados do Município. Por isso algumas regiões da Cidade sofrem mais com os ventos do que outras”, argumenta.

O mesmo departamento registrou neste dia 13, com aparelhos instalados no próprio campus da FCA, uma quantidade de 76,6 milímetros de água, volume considerado normal para esta época do ano. A previsão da meteorologia é de mais chuva em Botucatu nesta sexta-feira e no sábado. A Guarda Civil Municipal e a Defesa Civil continuam de prontidão para atendimento ? população pelo telefone 199.

{tam:25px}{n}O drama do Santa Maria 1{/n}{/tam}

Fotos: Valéria Cuter

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Um dos locais mais afetados foi o Conjunto Residencial Santa Maria 1, do Projeto “Minha Casa Minha Vida”, do Governo Federal, no Jardim Santa Mônica onde 407 casas populares foram construídas. A responsável pela obra foi a Construtora Haus Ltda. Pelo menos 70 casas foram, seriamente, afetadas com inundações e infiltrações de água.

“Aqui, toda vez que chove a água invade as casas. Só que esta noite a situação chegou ao caos. Dezenas de casas ficaram inundadas e muitas famílias tiveram seus móveis perdidos”, disse Juvenal Vieira Viriato, que mora na Rua 13. Para Joel Adriano Moreira Leite, morador da Rua 10, as casas foram mal construídas e se medidas não forem tomadas vai acontecer uma tragédia. “A construtora dessas casas e a Caixa Federal devem ser responsabilizadas por tudo que acontecer. Do jeito que está não pode ficar”, criticou morador. “O sonho de ter minha casa própria está se tornando um pesadelo”, emendou Eurídice Aparecida Claudino, da Rua 13.

O prefeito João Cury Neto que esteve acompanhando os estragos que a chuva causou na Cidade salientou que a Prefeitura, através da Secretaria de Assistência Social, irá verificar cada caso para ver o que poderá ser feito. Sobre o Santa Maria 1, foi taxativo. “Acionamos a construtora responsável pela obra e a Caixa Federal para que as medidas sejam tomadas. O que não pode acontecer é as famílias ficarem no prejuízo, passando por este tipo de situação”, colocou Cury que providenciou o envio de um caminhão com três mil telhas, além de equipe técnica para avaliar a situação no local. Além disso, a Defesa Civil providenciará lonas para cobrir as casas destelhadas.

“Me sinto, particularmente, responsável porque fomos nós que fundamos aquele bairro e temos um carinho especial pelos moradores. Eles não serão abandonados. Quero que essas pessoas tenham moradia digna. Por isso não podemos aceitar casas com goteiras ou onde chove dentro. Já acionamos a empresa e existe seguro para cobrir situações como as que foram registradas no local. Daremos toda assistência ? s famílias”, declarou o prefeito.