Caso Dennis ainda não saiu da fase de inquérito policial

A morte do jovem de 18 anos de idade, chamado Dennis Willians Soares ocorrida no início da madrugada do dia 13 de agosto do ano passado no Pronto Socorro (PS) do Hospital das Clínicas (HC), ainda gera muito inconformismo ? família. Isso porque alegam que houve negligência e muita demora no atendimento do Pronto Socorro Regional de Botucatu que funciona na região da Vila Assunção e é gerido pelo HC. O caso está sendo investigado e ainda se encontra em fase de inquérito presidido pelo delegado Lourenço Talamonte Neto.

Quando o caso ganhou repercussão, o pai da vítima Marcos Marcelo Soares Batista de Oliveira disse que Dennis foi atendido por uma enfermeira que diagnosticou o problema como “gazes”. No entanto aponta que o filho estava em estado gravíssimo, com isquemia intestinal, hemorragia interna e várias perfurações no intestino.

Por conta disso, entrou com uma ação na Justiça exigindo explicações da Superintendência do HC. Lembra que nas horas que antecederam sua morte, o jovem chegou ao PS regional na Vila Assunção ? s 13h45 ficou no PS com seu irmão de criação (Heliel Fernandes Martos) por mais de três horas e começou a suar frio e vomitar deitado no seu colo, do lado de fora do PS.

“Gritando de dor ele pediu para ir embora que não iria agüentar esperar pelo atendimento. Em casa ligamos para o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) que explicou que o caso era ambulatorial e o atendimento deveria ser feito no PS e ser levado por uma ambulância. Então, Dennis foi levado até o HC, por volta das 18 horas, pois sua barriga estava dura como pedra e ficando com uma coloração escura. Quando chegou passou por uma avaliação, sendo entubado e encaminhado para a sala de cirurgia para ser operado, mas veio a morrer durante a madrugada”, explicou Martos, na ocasião dos fatos.

Marcos Oliveira frisa que o acolhimento, nome que é dado pela Superintendência para o diagnóstico realizado por enfermeiro (a), é ilegal. “Entretanto continua ocorrendo, contrariando uma norma federal. Por isso, entrei com uma denúncia formal no Ministério Público que foi acatada pelo promotor de Justiça Dr. Paulo Sérgio Abujanra. Qualquer cidadão pode ter acesso a este inquérito, já que é público e leva o número de 14.0214.0002393/2012-4”, frisa o denunciante.

Marcos Oliveira revela que o objetivo do inquérito em andamento é transformá-lo numa Ação Civil Publica. “Só ela será capaz de acabar com o acolhimento realizado por enfermeiros. O pior é que numa prova de desrespeito a Superintendência do HC, não apresentou defesa plausível ao MP e ainda não apresentou o prontuário do Denis”, reclama. “Nada mudou e o acolhimento médico tanto no PS Regional em Botucatu quanto no PS do Hospital das Clínicas em Rubião Júnior, continua sendo realizado por enfermeiros”, acusa.

Paralelo a essa ação contra a superintendência do HC, ele afirma que muitas coisas foram ditas e que vai resultar num processo de danos morais. “Muitas inverdades foram faladas denegrindo minha imagem num momento em que passava pelo período mais doloroso de minha vida e ainda estou passando. Quem fez acusações terá que provar o que disse na Justiça”, garantiu.

Sobre a não entrega de uma cópia do prontuário ao pai de Dennis a Superintendência do HC informou que esse documento faz parte do arquivo de pacientes do hospital e só pode ser entregue mediante determinação judicial.